Outro livro de rara beleza iconográfica é o poema de Franciscus Plante, Mauritiados, dedicado ao Conde João Maurício de Nassau, de quem era capelão. A obra datada de 1647, impressa em Amsterdam por Joannis Maire, tem o formato de 42x30cm, 205 p., sendo ilustrada por 20 gravuras (anteriormente publicadas no livro de Gaspar Barleus), quatro mapas desdobráveis (Ceará, Pernambuco, Paraíba e 'Pernambuco Boreal'), um retrato de João Maurício de Nassau (o mesmo do livro de Gaspar Barleus, gravado por Theodoro Matham) e outro do próprio Franciscus Plante, gravado por Jonas Suyderhoof. Já em 1872, esta obra era considerada por Fr. Mueller como um trabalho raro e magnífico de grande raridade.

De extrema raridade é outro folheto (16 p. il.), que também leva a assinatura do reverendo Franciscus Plante, totalmente desconhecido pelos bibliógrafos e estudiosos que se dedicaram ao período holandês Trata-se de um texto poético, com 16 páginas contendo preciosas ilustrações, sobre a tentativa da tomada da Bahia de Todos os Santos por frota comandada pelo Conde João Maurício de Nassau, publicado, sob o título Legatio Pernambucencis: sub auspicius ILLust & Excell. Herois, J. Mauritii, Nassaviae, & c. Comitis & Brasiliae summi terra marique Imperatoris, potentem hispaniarum praregem I. Masquerenkos, marchionem motalvensem Castellae Novae Comitem & c. feliciter in sinu omnium sanctorum (qui Bahia vulgo). [ S.l.]: Ex. Officina Wilhelmi Christiani, impresso em Leiden, na oficina de Wilhelmi Christiani, em 1642. - O único exemplar conhecido desta raridade, integra a coleção do Prof. José Antônio Gonsalves de Mello, tendo sido adquirido à Livraria Kosmos (Rio de Janeiro), em 8 de março de 1973. Pouco antes do seu falecimento, em 7 de janeiro de 2002, foi a sua biblioteca adquirida pelo Instituto Ricardo Brennand (Recife) onde podemos encontrar não só esta como inúmeras outras raridades do período holandês.

Ainda sob o mecenato de João Maurício de Nassau foram pintadas, pelos artistas de sua comitiva, as primeiras paisagens brasileiras, bem como uma farta documentação iconográfica dos naturais da terra, dos portugueses e mazombos [filhos de portugueses nascidos no Brasil] aqui residentes, da flora e da fauna, obras hoje admiradas nas mais diferentes coleções do mundo.