Quando o Conde João Maurício de Nassau aportou em Pernambuco, na qualidade de Governador do Brasil Holandês, em 23 de janeiro de 1637, trazia em sua comitiva não um exército, à moda dos colonizadores de então, mas uma verdadeira missão científica que ainda hoje desperta as atenções dos estudiosos daquele período.

Com trinta e três anos de idade, o conde fez-se acompanhar do latinista e poeta Franciscus Plante, do médico e naturalista Willem Piso, do astrônomo e naturalista Georg Marcgrave, dos pintores Frans Post, Albert Eckhout e Zacharias Wagner, este último já residente no Brasil, do médico Willem van Milaenen, além de outros nomes. Como o humanista Elias Herckmans, os cartógrafos Cornelis Goliath e Jan Vingboons, do artista amador Gaspar Schmalkalden e do arquiteto Pieter Post, que vieram integrar-se em datas posteriores a esta missão de cientistas.

Alemão, nascido em Dillemburgo a 17 de junho de 1604, João Maurício de Nassau era o filho primogênito do Conde João VII e de sua segunda esposa Margarida von Helstein-Soderborg, uma parenta da família real da Dinamarca. Fizera seus estudos humanísticos em Brasiléia, Genebra e Cassel, mas aos quatorze anos teve de abandoná-los em favor da carreira das armas, onde atingiu o coronelato aos vinte e cinco anos. Distinguindo-se em 1636 na retomada da praça de Schenkenschaus, situada no ducado de Cleve (Alemanha), foi convidado pelo Conselho dos XIX da Companhia das Índias Ocidentais para assumir o governo civil e militar do Brasil Holandês, recebendo o soldo de 1500 florins mensais, o subsídio de 6000 florins para as despesas de manutenção e 2% sobre o total das presas de guerra, além de seu ordenado de coronel do exército da União.

A estada do Conde João Maurício de Nassau em terras brasileiras prolonga-se até julho de 1644, tempo bastante para uma impressionante produção científica e artística dos membros de sua missão. Uma nova cidade veio a surgir nos trópicos, sob o traço de Pieter Post, um dos principais representantes, ao lado de Jacob van Campen, do classicismo arquitetônico nos Países Baixos. A ela deu-se o nome de Mauritsstad, ou Cidade Maurícia, em homenagem ao seu fundador. Aos melhoramentos urbanísticos, inclusive a construção de palácios e de uma grande ponte que unia a nova cidade ao continente, vieram juntar-se a produção dos artistas de Nassau - os primeiros temas do Brasil de natureza não religiosa, como paisagens, retratos, figuras humanas e de animais e naturezas mortas -, as observações astronômicas, o levantamento cartográfico da região e as anotações concernentes à medicina, à flora, à fauna e aos naturais da terra.