14 a 17 de Abril|2015

História

O Instituto Ricardo Brennand e as Universidades Federais de Pernambuco e do Rio Grande do Norte realizarão o IX Colóquio Internacional Michel Foucault: Michel Foucault e as Heterotopias do Corpo, com o intuito de refletir sobre as contribuições teóricas deste pensador para o regime dos corpos no mundo contemporâneo. O evento acontecerá de 14 a 17 de Abril, na Galeria de eventos do Instituto Ricardo Brennand. O colóquio contará com 33 palestrantes nacionais e internacionais que abordarão as teorias de Michel Foucault e sua relação com o corpo.

Sobre

Michel Foucault

Este é um evento periódico e já consolidado, que reúne especialistas nacionais e internacionais, das mais diferentes áreas do conhecimento, em torno das ideias e obras do pensador francês Michel Foucault. Os oito encontros que foram anteriormente realizados nas cidades do Rio de Janeiro (1999, 2009, 2013), Campinas (2000, 2004, 2008), Natal (2007) e São Paulo (2011) resultaram na publicação de livros que reúnem um conjunto de artigos indispensáveis para o conhecimento e a discussão das contribuições foucaultianas para as distintas áreas do conhecimento: (Retratos de Foucault, Nau, 2000; Imagens de Foucault e Deleuze, DP&A, 2002, Figuras de Foucault, Autêntica, 2006; Cartografias de Foucault, Autêntica, 2008; Por uma vida não-fascista, Autêntica, 2009; Foucault: filosofia & política, Autêntica, 2011 e O Mesmo e o Outro: cinquenta anos de História da Loucura, Autêntica, 2013). Tomando por base uma temática geral, o evento se constitui na realização de conferências e mesas-redondas compostas por profissionais com distintas formações e que utilizam o pensamento de Michel Foucault para tratar de diferentes problemas.

Programação

manhã 08:00


09:30

Credenciamento


manhã
09:30


10:00

Solenidade de Abertura


manhã
10:00


12:00

Diogo Sardinha

Conferência de Abertura

Três corpos: Artaud, Foucault, Deleuze - Diogo Sardinha (Collège International de Philosophie, Paris);


manhã
12:00


13:30

Pausa para Almoço


tarde
13:30


15:30

Mesa I
Os direitos do corpo - heterotopias jurídicas

Joao Marcos de Araujo Braga Junior

A sociedade civil e seus contracorpos: apontamentos para uma nova utopia do corpo social - João Marcos de Araújo Braga Jr (TRF 1 Região);

Márcio Alves da Fonseca

Corpo e ilegalismos - Márcio Alves da Fonseca (PUC/SP);

Regina Beatriz Guimarães Neto Neto

Inscrições da Lei e da Ordem: tecnologias de governo e estratégias de luta dos trabalhadores. A Amazônia brasileira - Regina Beatriz Guimarães Neto Neto (UFPE);


tarde
15:30


17:30

Mesa II
A invenção de corpos: a historicidade da carne segundo Michel Foucault

Denise Bernuzzi de Sant’Annar

A trepadeira - Denise Bernuzzi de Sant’Anna (PUC/SP);

Durval Muniz de Albuquerque Júnior

Discutindo o sexo dos anjos: um encontro entre o pensamento e os corpos de Charles Fourier, Michel Foucault e Michel Onfray - Durval Muniz de Albuquerque Júnior (UFRN);

Heliana de Barros Conde

População, povo, plebe – somos todos uns governados? - Heliana de Barros Conde (UERJ);


FIM

manhã
10:00


12:00

Mesa III
Fantasmas e fantasias de corpos: heterotopias feministas

Alcileide Cabral do Nascimento

Uma feminista incendiária: Martha de Hollanda e a Cruzada Feminista Brasileira (1926-1932) - Alcileide Cabral do Nascimento (UFRPE);

Margaret A.McLaren

Heterotopias como um Espaço da Resistência Feminista - Margaret A.McLaren (Rollings College) (PUC/SP);

Priscila Piazentini Vieira

Estilísticas da existência e heterotopias do corpo em Foucault para além do sujeito de direito - Priscila Piazentini Vieira (UFPE);


tarde
12:00


13:30

Pausa para Almoço


tarde
13:30


15:30

Mesa IV
Pensar o corpo: heterotopias filosóficas

André de Macedo Duarte

Foucault vai ao cinema (em Recife): Tatuagem e Febre do Rato como heterotopias - André de Macedo Duarte (UFPR);

José Luís Toivola da Câmara Leme

Heterotopia, o conceito e a política - José Luís Toivola da Câmara Leme (Universidade de Lisboa);

Pedro de Souza

Heterotopias corporais. O corpo outro na voz - Pedro de Souza (UFSC);


tarde
15:30


17:30

Mesa V
O corpo e suas formas: heterotopias estéticas

Celso Kraemer

O cuidado na ontologia de foucault - Celso Kraemer (PUC/SP);

Vera Maria Portocarrero

Acontecimento discursivo e espaço limítrofe da vida filosófica - Vera Maria Portocarrero (UERJ);


FIM

manhã
10:00


12:00

Mesa VI
Pedagogias dos corpos: heterotopias educacionais

Alfredo José da Veiga-Neto

40 anos de Vigiar e Punir: a alma é deste mundo - Alfredo José da Veiga-Neto (UFRGS);

Cristiane Maria Marinho

Corpo Heterotópico como resistência aos processos de subjetivação identitária: algumas questões filosófico-educacionais - Cristiane Maria Marinho (UECE);

Sílvio Donizetti de Oliveira Gallo

Heterotopias do corpo na escola? Pensar Foucault com Schérer - Sílvio Donizetti de Oliveira Gallo (Unicamp);


tarde
12:00


13:30

Pausa para Almoço


tarde
13:00


15:30

Mesa VII
Heterotopias do corpo: pensamento e práticas feministas

Luana Saturnino Tvardovskas

Vertigens e sombras de brasilidade: Heterotopias, colonialismo e a crítica feminista da arte - Luana Saturnino Tvardovskas (UNICAMP);

Luzia Margareth Rago

Heterotopias Feministas: rebeldia e transgressão na doce arte de Kara Walker - Luzia Margareth Rago (UNICAMP);

Tânia Navarro Swain

Heterotopias: cousas e lousas - Tânia Navarro Swain (UNB);


tarde
13:30


17:30

Mesa VIII
Heterotopias políticas dos corpos

Antônio Torres Montenegro

Assassinato, inquérito e julgamento. Rituais jurídicos e policiais - Antônio Torres Montenegro (UFPE);

Edson Passetti

A criança, o cadáver e a revolta - Edson Passetti (PUC/SP);

Salete Magda de Oliveira

Jovens encarcerados, medidas, medições e um inclassificável apetite de vida - Salete Magda de Oliveira (PUC/SP);


FIM

manhã
10:00


12:00

Mesa IX
Os corpos como linguagens heterotópicas

Arianna Sforzini

Utopias e Heterotopias dos Corpos/ Utopies et hétérotopies des corps - Arianna Sforzini (Universidade de Paris-Est Créteil);

Selmo Haroldo de Resende

Capacitação, Corpo e Heterotopia - Selmo Haroldo de Resende (UFU);

Tony Renato Hara

O corpo e o escândalo da verdade: notas sobre o modo de vida cínico - Tony Renato Hara (UEL);


tarde
12:00


13:30

Pausa para Almoço


tarde
13:30


15:30

Mesa X
Pesos e levezas do corpo: vida e morte como heterotopias

Carmem Lúcia Soares

Heterotopias do corpo: aventuras sinestésicas em meio a uma natureza revisitada - Carmem Lúcia Soares (UNICAMP);

Maria Rita de Assis César

Heterotopias feministas e os corpos “fora do lugar”: entre a política e a arte - Maria Rita de Assis César (UFPR);

Salma Tanus Muchail

“Herculine e Pierre, infames da modernidade” - Salma Tanus Muchail (PUC/SP);


tarde
15:30


17:30


Conferência de Encerramento

Luca Paltrinieri

Le corps infâme: hier et aujourd’hui
O corpo infame: ontem e hoje
- Luca Paltrinieri (Collège International de Philosophie, Paris);


Noite
17:30

Solenidade de Abertura
com atividade cultural sobre o corpo


FIM

Palestrantes

Comissão

Comissão Organizadora

  1. André Aquino - Assessor de Projetos (Instituto Ricardo Brennand)
  2. Antônio Torres Montenegro - Professor Titular (Universidade Federal de Pernambuco)
  3. Durval Muniz de Albuquerque Júnior - Professor Titular (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)
  4. Eduardo Germínio - Assistente de Pesquisa (Instituto Ricardo Brennand)
  5. Helder Remígio - Doutorando (Universidade Federal de Pernambuco)
  6. Hugo Coelho Vieira - Pesquisador (Instituto Ricardo Brennand)
  7. José Brito - Doutorando (Universidade Federal de Pernambuco)
  8. José Demóstenes Júnior - Assessor Administrativo (Instituto Ricardo Brennand)
  9. Luana Lopes - Designer (Instituto Ricardo Brennand)
  10. Márcio Vilela - Professor Pós-doutorando (Programa de Pós-graduação em História e Universidade Federal de Pernambuco (PPGH/UFPE))
  11. Nara Galvão - Coordenadora Geral (Instituto Ricardo Brennand)
  12. Pablo Porfírio - Professor Visitante de pós-doutorado (Universidade Federal de Pernambuco)
  13. Rafaela Simão - Assessora de Eventos (Instituto Ricardo Brennand)
  14. Regina Beatriz - Professora (Universidade Federal de Pernambuco)
  15. Sr. Guillaume Ernst - Consulat Général de France à Recife

Comissão Científica

  1. Prof. Dr. Antônio Torres Montenegro (UFPE)
  2. Prof. Dr. Alfredo Veiga Neto (UFRGS)
  3. Prof. Dr. André Macedo Duarte (UFPR)
  4. Profa. Dra. Denise Bernuzzi de Sant'Anna (PUC-SP)
  5. Prof. Dr. Durval Muniz de Albuquerque Júnior (UFRN/UFPE)
  6. Prof. Dr. Edson Passeti (PUC-SP)
  7. Prof. Dr. Guilherme Castelo Branco (UFRJ)
  8. Profa. Dra. Heliana de Barros Conde (UERJ)
  9. Prof. Dr. José Camara Leme (Universidade Nova de Lisboa)
  10. Profa. Dra. Luzia Margareth Rago (UNICAMP)
  11. Prof. Dr. Márcio Alves da Fonseca (PUC-SP)
  12. Profa. Dra. Salma Tannus Muchail (PUC-SP)
  13. Prof. Dr. Silvio Gallo (UNICAMP)
  14. Profa. Dra. Tania Navarro Swain (UnB)
  15. Profa. Dra. Vera Maria Portocarrero (UERJ)
  16. Profa. Dra. Regina Beatriz (UFPE)

Inscrição

Estudante | ICOM | Professor

Valor

R$50,00

Profissional

Valor

R$100,00
Esgotadas

GRATUITA

Valor

R$00,00

Como efetuar sua Inscrição

  1. Preencha a ficha de inscrição.
  2. Efetue o depósito bancário identificado na conta do Instituto Ricardo Brennand.
    Banco Bradesco 237
    Ag. 0289-5 (Agência Concórdia)
    C/c 120.264-2
    CNPJ: 04.699.137/0001-37
    Favorecido: Instituto Ricardo Brennand
  3. Envie por e-mail a ficha de inscrição preenchida e comprovante do depósito bancário para o
    e-mail: irb@institutoricardobrennand.org.br.
  4. Aqueles que optarem pela modalidade “Estudante |ICOM| Professor”, enviar comprovante de vínculo com a instituição de ensino: declaração, carteira de estudante, ou carteira do ICOM, além desta ficha de inscrição.
  5. Aqueles que optarem pela modalidade de bolsa (inscrição gratuita), destinadas aos estudantes e professores das redes públicas (50% do total das vagas do colóquio), deverão enviar alguma cópia que comprove esta modalidade: declaração, certidão, carteira de estudante, carteira trabalho, carteira de professor ou contracheque), além desta ficha de inscrição.
  6. A inscrição só será validada após o envio de confirmação por parte do Instituto Ricardo Brennand, através do e-mail: irb@institutoricardobrennand.org.br.
Regras para Cancelamentos:

Inscrições canceladas até o dia 30 de março de 2015 terão 50% do valor reembolsado. Inscrições canceladas após o dia 30 de março de 2015 não serão reembolsadas, podendo ser transferidas para outra pessoa ou remanejadas para outros cursos oferecidos pelo Instituto Ricardo Brennand.

* 50% das vagas são destinadas a estudantes e professores de instituições públicas.

Ao preencher todo formulário de inscrição. Você deve envia-lo ao seguinte email: irb@institutoricardobrennand.org.br

Este é um evento periódico e já consolidado, que reúne especialistas nacionais e internacionais, das mais diferentes áreas do conhecimento, em torno das ideias e obras do pensador francês Michel Foucault. Os oito encontros que foram anteriormente realizados nas cidades do Rio de Janeiro (1999, 2009, 2013), Campinas (2000, 2004, 2008), Natal (2007) e São Paulo (2011) resultaram na publicação de livros que reúnem um conjunto de artigos indispensáveis para o conhecimento e a discussão das contribuições foucaultianas para as distintas áreas do conhecimento: (Retratos de Foucault, Nau, 2000; Imagens de Foucault e Deleuze, DP&A, 2002, Figuras de Foucault, Autêntica, 2006; Cartografias de Foucault, Autêntica, 2008; Por uma vida não-fascista, Autêntica, 2009; Foucault: filosofia & política, Autêntica, 2011 e O Mesmo e o Outro: cinquenta anos de História da Loucura, Autêntica, 2013). Tomando por base uma temática geral, o evento se constitui na realização de conferências e mesas-redondas compostas por profissionais com distintas formações e que utilizam o pensamento de Michel Foucault para tratar de diferentes problemas. O evento objetiva aprofundar o conhecimento sobre a produção deste pensador, produzir conhecimento novo a partir de suas ideias e, fundamentalmente, intercambiar experiências de pesquisa e as leituras que estes profissionais fazem das contribuições deixadas para o pensamento, por este autor. Nesta nona edição o evento se propõe a refletir sobre as contribuições que Michel Foucault nos deixou quando se trata de pensar o corpo, a construção social e histórica das corporeidades, a diversidade de práticas e relações de poder e saber que constituem e atravessam nossos corpos, as nossas diversas realidades corporais, mas também os devires, os delírios, as utopias e heterotopias que também fazem parte do e constituem o regime de corpos no mundo contemporâneo. Numa conferência proferida no Círculo de Estudos Arquitetônicos, intitulada “Outros Espaços” (Ditos e Escritos, vol. IIII, 2001), Michel Foucault propõe a noção de heterotopia para nomear lugares reais, lugares efetivos, lugares que são delineados na própria constituição da sociedade que, em qualquer cultura ou civilização, seriam espécies de contraposicionamento, espécies de utopias efetivamente realizadas, espécies de lugares onde a ordem social aparecia invertida, espécies de lugares que estariam fora de todos os lugares, embora eles sejam efetivamente localizáveis. É o mesmo Foucault que em texto clássico, “Nietzsche, a genealogia e a história” (Microfísica do Poder, 1984) pensa o corpo como o espaço privilegiado de inscrição da história, superfície de inscrição dos acontecimentos, enquanto a linguagem os marca e as ideias o dissolvem, como o lugar de dissociação do Eu, volume em perpétua pulverização. Propondo-se a fazer, assim como Nietzsche, uma genealogia das forças que constituem os corpos, Foucault toma como elemento privilegiado do seu método de análise as articulações entre o corpo e a história, se interessando por mostrar o corpo inteiramente marcado pela história e a história arruinando os corpos. Sobre os corpos se encontraria o estigma dos acontecimentos passados do mesmo modo que dele nascem os desejos, os desfalecimentos e os erros; nos corpos se atariam os eventos, nele se exprimiriam, mas também neles se desatariam, entrariam em luta, se apagariam uns aos outros em suas constantes lutas. Se os corpos são espaços, são lugares de acontecimentos, práticas, representações, alianças e conflitos, eles também poderiam vir, em dadas situações, contextos, processos, práticas e discursos vir a ser estes espaços fora de todos os espaços, esses lugares de realização efetiva de utopias, de sonhos, de desejos, de fantasias, de imaginários, de delírios. Dados corpos poderiam ser nomeados de heterotópicos, corpos fora de lugar, corpos como lugares da realização de práticas e discursos que os transformariam em desviantes, divergentes, equívocos, transgressores, anormais, anômalos, nômades, corpos rebeldes e rebelados contra a ordem, a normalidade, as leis, a natureza, a cultura. Seriam esses corpos, nas suas várias maneiras de se constituírem e aparecem socialmente e nas distintas e diferentes maneiras com que podem ser abordados, analisados, tratados, por distintos campos de saber, que seriam objeto de debate e análise dos vários trabalhos a ser apresentados no evento. Uma das contribuições trazidas pelas obras de Michel Foucault seria, justamente, este deslocamento do olhar daquilo que sempre foi considerado como central, nuclear e essencial para se entender o funcionamento da sociedade e das instituições, para aquilo que era descrito como periférico, marginal, menor, fronteiriço. Como genealogista de nosso tempo e de nosso mundo, Foucault teria deslocado seu olhar para as bordas constitutivas da racionalidade ocidental ao se dedicar a estudar a desrazão, a loucura, a anormalidade, a monstruosidade, a sexualidade, o corpo, a literatura, os ilegalismos, os infames, tudo aquilo que a racionalidade moderna excluiu, desconheceu, definiu como passível de punição, de normalização e de medicalização. Sua obra fez aparecer uma nova geografia de nosso pensamento e de nossas práticas ao ir buscar naquilo que foi considerado minoritário, desviante, criminoso, invisível, ameaçador, as próprias operações fundamentais de constituição do que somos e daquilo que fizemos e fazemos com nós mesmos. Para Foucault aquilo que uma sociedade exclui, joga para as margens, é o que constitui seus limites, as suas fronteiras e é justamente o que a define, que dá seus contornos e seu desenho. As experiências do fora, das margens, dos limites, das fronteiras, seriam as experiências que permitiriam cartografar novas desenhos, novas configurações para o acontecer de uma dada sociedade. Como o saber é perspectivo, este olhar das margens permite constituir outras visibilidades e outras dizibilidades sobre qualquer tema ou problema que se queira colocar para o conhecimento. Conhecer é, portanto, também uma questão de localização, de colocação em um dado lugar, da abertura de um dado espaço para o pensamento. Pensar a partir de um corpo é a condição intransponível para qualquer um. O corpo é nosso espaço de existência, de apresentação, é o ponto de partida de nosso ser no mundo. Como pensamos a partir de um corpo, é fundamental nos indagar não somente sobre as várias formas como o corpo foi pensado ao longo da história do pensamento ocidental, mas como a relação entre corpo e pensamento, corpo e ideias, corpo e razão, corpo e desrazão se deu ao longo do tempo e como se dá, de diferentes maneiras, em nossos dias. Michel Foucault cunhou o conceito de biopolítica ao perceber que, desde pelo menos o século XIX, a questão da gestão dos corpos, do governo da vida, passou a ocupar o centro das decisões políticas, econômicas, sociais e culturais. Se o Antigo Regime se apoiava sobre a ameaça e a efetivação da morte, o Estado moderno, as relações de poder disciplinares prevalecentes na modernidade tinham como base de apoio e legitimação a governamentalização da vida, práticas e discursos voltados para o adestramento, controle, fabricação e direção dos corpos vivos. O vitalismo, a frenologia, a eugenia, a fisiognomonia, o darwinismo social, são formas de saber e conjunto de práticas voltadas para a produção de um dado corpo individual e social, já que o corpo e o organismo passam a ser metáforas fundamentais nas diversas formas de pensar a própria organização social. Vivemos uma época onde o corpo ocupa uma grande centralidade em nossas vidas, em nossos saberes, em nossas instituições. As práticas corporais, as utopias em torno dos corpos, as diversificadas tecnologias voltadas para a modelagem e construção dos corpos, os diversos cuidados a que eles estão sujeitos, as diversões interdições e excitações a que são submetidos, merece uma reflexão mais aprofundada por parte da Universidade e de outras instituições voltadas para a produção do conhecimento. Michel Foucault foi um pensador que colocou como tarefa do pensamento fazer a arqueologia do tempo presente, que nos intimou a fazer do presente o nosso problema, que nos conclamou a sermos capazes de nos tornamos diferentes de nós mesmos, que nos incitou a fazermos um diagnóstico do que estamos fazendo com nosso tempo. Este Colóquio teria como objetivo, justamente, refletir, a partir de diferentes lugares de autoria e de diferentes perspectivas disciplinares e temáticas, tomando o pensamento de Foucault como ferramenta, sobre as questões e problemas do mundo contemporâneo, sobre suas políticas para os corpos e sobre os corpos da política. Michel Foucault tratou em suas pesquisas da constituição histórica e social de diferentes corporeidades, os corpos fabricados, sujeitados, mas também os corpos deliquentes, rebelados, corpos dóceis e corpos indóceis, presentes, construtores e construídos por espaços como: a escola, o asilo, o hospício, o hospital, a prisão, até os corpos inventores dos espaços de liberdade em seu cotidiano de lutas e resistência às normas e à lei, o que chamou de heterotopias. Em suas obras buscou escavar um novo corpo para o pensamento e para as práticas de si e em relação aos outros. Num momento de profunda crise ética vivida pela sociedade brasileira, num momento de profundo desprestígio da política entre nós, nos parece pertinente a realização de um evento que trará para o debate o pensamento de um autor que sempre colocou a ética e a política como temas nucleares de sua reflexão. Em seus livros, textos e entrevistas, em suas ações não cessamos de encontrar uma proposta de abertura de novos espaços de reflexão e de prática de novos procedimentos éticos e políticos. Ao por em questão as certezas que tínhamos e temos, ao mostrar como construções históricas, contingentes e interessadas as verdades que nos pareciam óbvias, ao abordar as relações de poder como constitutivas de sujeitos e de objetos que nos pareciam transcendentes e eternos, quando não naturais, ao chamar a atenção para a atividade que nós mesmos exercemos sobre nossa subjetividade, sobre a produção de nosso corpo, Michel Foucault nos interpela no sentido de que somos responsáveis, sempre onde estamos, pela produção e reprodução ou pelo questionamento e inflexão das figuras de saber, das relações de poder, das práticas e das estratégias que constituem espaços de exclusão, de segregação, de censura, de interdição, de reclusão, de silenciamento, que fazem parte da maquinaria social que sustentamos. Refletir, portanto, sobre onde estamos, onde nos situamos, quais os espaços que constituímos e que nos constituem, inclusive e, principalmente, sobre o que estamos fazendo com nossos corpos, que corporeidade atualizamos em cada uma de nossas ações, tem uma relevância política e ética que torna um evento como este uma oportunidade de maturação de novas práticas acadêmicas e políticas, uma nova maneira de relacionar cultura e pensamento. Este evento possui um caráter interdisciplinaridade e uma perspectiva multifacetada do olhar, divulgando o resultado de novos documentos e proporcionando outros diálogos dos profissionais de história com as diversas áreas das ciências humanas que o próprio Foucault fez questão de romper e desnaturalizar. O evento nesta edição tem o compromisso de garantir 50% das inscrições de forma gratuita para os professores e alunos da rede pública universidades e escolas públicas, sejam em níveis da esfera federal, estadual e municipal. Além deste aspecto, outro caráter inovador deste colóquio é o fortalecimento da parceria estabelecida entre as Universidades Federais de Pernambuco (UFPE) e do Rio Grande do Norte (UFRN), (através do Programa de Pós-graduação de História) e o entorno de sua comunidade, tendo em vista que o colóquio será sediado no Instituto Ricardo Brennand (Sociedade civil sem fins lucrativos que tornou-se o museu mais visitado do Norte e Nordeste do Brasil e um dos dez museus mais visitados do Brasil segundo último senso da respeitada revista inglesa The Arte News Paper), situado em local privilegiado, pois está e menos de 1 Km do campus da UFPE e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE). Assim, ao mesmo tempo em que o evento ganha visibilidade em Museu de porte internacional, reconhecido e visitado ele garante a gratuidade para os professores e alunos de instituições educacionais públicas, proporcionando a divulgação das novas produções acadêmicas para a sociedade. Sendo realizado pela primeira vez em Pernambuco o evento promove a descentralização dos eventos e do debate acadêmico no país e sendo Recife a cidade estratégica para o recebimento de pessoas de toda região do Nordeste e do Brasil.